Sequestro de Abilio Diniz foi embrião do PCC e prejudicou Lula, diz Fleury

Atualizado: 20 de jun.

Ex-governador avalia crime ocorrido a 25 anos e aponta que sequestradores do empresário foram mentores da facção PCC

O ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho, secretário de Segurança Pública de São Paulo em 1989, afirma que o convívio de criminosos comuns com os sequestradores do empresário Abilio Diniz, na Penitenciária do Estado, no Carandiru, resultou no embrião que gerou, nos governos do PSDB, o Primeiro Comando da Capital (PCC). Duas décadas depois, a quadrilha controla os presídios paulistas, o tráfico de drogas e os maiores crimes contra o patrimônio no País.


Nos dez anos em que cumpriram pena, os sequestradores conviveram com presos comuns, entre eles o jovem ladrão Marco William Hernandes Camacho, o Marcola, que mais tarde lideraria o PCC.


“Os sequestradores do Abilio Diniz causaram um grande mal às prisões. O PCC nasceu do convívio com eles e se estruturou a partir de 1994”, afirma Fleury.


O grupo original, formado por três detentos, conhecidos por Paixão, César e Cezinha, já era chamado de PCC pelas iniciais dos nomes. Mais tarde a sigla passou a adotar Primeiro Comando da Capital, criou um estatuto e tornou-se conhecida em maio de 2001, ao comandar a megarrebelião e parar, num único domingo, 29 prisões.


“A presença dos sequestradores provocou graves mudanças no sistema prisional”, diz Fleury, um quarto de século depois daquele dezembro de 1989, vésperas da primeira eleição presidencial pós-ditadura militar. O ex-governador também admitiu que a polícia vestiu camisetas do PT nos sequestradores e que houve uso político do episódio pra prejudicar o então candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje ele crê que a repercussão do sequestro pode ter ajudado a alterar o resultado da disputa em que saiu vitorioso o hoje senador Fernando Collor.


“Para o Lula até que foi bom ter perdido aquela eleição”, observa Fleury, referindo-se, naturalmente, ao fato de o petista, três eleições depois, ter vencido e se transformado num fenômeno eleitoral. Pela interpretação do ex-governador, se tivesse vencido, Lula poderia não ter chegado ao