Brasil: índice de policiais assassinados é um dos maiores do mundo

A taxa de policiais mortos em serviço no Brasil é 72% maior do que na Argentina

Em 2020, 176 policiais militares ou civis foram assassinados em serviço ou em decorrência da função, aponta estudo.

Por Gabriel Sestrem, Gazeta do Povo


Em dezembro de 2020, o cabo da Polícia Militar Derinaldo Cardoso dos Santos, de 34 anos, foi baleado ao tentar impedir um assalto a uma loja no centro da cidade de Mesquita, no Rio de Janeiro, e não resistiu aos ferimentos. O policial deixou a esposa e dois filhos. O caso ocorreu dois meses depois da publicação de um vídeo gravado pelo cabo em que ele desabafava após o assassinato do sargento Cirio Damasceno Santos, de 51 anos, que morreu após ser baleado na cabeça durante uma operação policial na Zona Norte do Rio.


Um mês antes, outro policial, o cabo Clodoaldo Mendes Junior, foi morto a tiros ao chegar em sua casa em Porto Seguro, no sul da Bahia. Seis criminosos estavam envolvidos no assassinato. Segundo a Polícia Militar, o crime teria ocorrido em retaliação a operações policiais realizadas na cidade, que resultaram na apreensão de várias armas.


Os três casos são contabilizados em um levantamento feito pelo Instituto Monte Castelo – um centro independente de pesquisa em políticas e legislação pautado pela defesa da vida, da liberdade e da responsabilidade – e obtido com exclusividade pela Gazeta do Povo, que trata dos assassinatos de policiais no Brasil em 2020. Segundo o estudo, no ano passado pelo menos 176 policiais (148 militares e 28 civis) perderam a vida em serviço ou em decorrência da função.


O número equivale a 0,83 morte de policial para cada um milhão de habitantes no país, e coloca o Brasil em desvantagem com relação a outras nações, como a Argentina, que possui 0,48 morte de agentes para cada um milhão de habitantes.


“Os números dos óbitos não permitem o diagnóstico completo do cenário. Para cada policial morto em combate, há vários outros com ferimentos