Bolsonaro quer se reunir com embaixadores estrangeiros para rebater TSE e STF

Atualizado: 20 de jun.

Bolsonaro também quer expor as divergências do Planalto em relação a ações do Supremo Tribunal Federal (STF)


O presidente Jair Bolsonaro (PL) quer se reunir com embaixadores estrangeiros até a semana que vem para se contrapor ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Fachin, que recebeu em 31 de maio diplomatas de outros países para falar sobre o sistema brasileiro de votação eletrônica. Bolsonaro também quer expor as divergências do Planalto em relação a ações do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas ainda não está certo se será o próprio Bolsonaro quem vai conduzir o encontro ou se isso será feito por ministros.


A ideia de Bolsonaro é convidar os mesmos representantes estrangeiros que participaram da reunião com Fachin, que tratou sobre o calendário das eleições, estatísticas e voto no exterior e urnas eletrônicas. Ao todo, o presidente do TSE falou a 68 embaixadores, diplomatas e chefes de missões estrangeiras no Brasil. Entre os convidados, estiveram representantes da embaixada da União Europeia e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).


Na reunião com os embaixadores, Bolsonaro quer ressaltar o desejo por "eleições limpas, confiáveis e auditáveis", como ele próprio disse em reunião bilateral na Cúpula das Américas ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Além disso, Bolsonaro também quer expressar suas dúvidas e seu ponto de vista sobre o processo eleitoral.


O presidente pensa em argumentar que, ao contrário de muitos países do mundo, o Brasil é um dos poucos que ainda usa urnas eletrônicas sem a impressão do registro digital de voto para fins de auditagem. Segundo o Palácio do Planalto, apenas Brasil, Bangladesh e Butão não usam as urnas de voto impresso, embora o TSE aponte que o voto eletrônico é adotado por pelo menos 46 países, segundo o Instituto para Democracia e Assistência Eleitoral Internacional (Idea).


Também está no radar de Bolsonaro apontar que o TSE e seus ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) exorbitam suas atribuições e até interferem em outros poderes. Um exemplo de interferência que o presidente avalia citar aos embaixadores estrangeiros seria sobre a votação da PEC do Voto Impresso, quando parlamentares da base relataram pressão de magistrados para votar contra a proposta. A PEC foi derrubada no ano passado em votação na Câmara dos Deputados.